Resenha de Objetos Cortantes - Gillian Flynn


Até agora eu não sei muito bem o que dizer desse livro.

Faz uma semana que eu terminei de ler essa estréia maravilhosa. Claro que eu já sabia o que esperar, já li Garota Exemplar, conheço o estilo da autora. Mas ainda assim, não sabia que o livro iria me envolver tanto ao longo de pouco mais de duzentas páginas. 256, para ser mais exato.

Esse livro conta a história de Camille, uma jornalista recém-saída de um hospital psiquiátrico que é mandada pelo seu editor para a sua cidade natal, na cobertura de uma investigação de infanticídio. Aliás, infanticídios.

Impossível contar mais da história sem entrar no tortuoso mundo dos spoilers, mas basta dizer que essa história é incrivelmente bem contada. Começa pela construção dos personagens. Todos eles são extremamente crus. Seus defeitos são apontados de forma seca, sem romancear. Mesmo os pecados de Camille, que é a narradora e a personagem central da história, são expostos de maneira crua, nos deixando com a impressão de que nem mesmo ela é uma pessoa tão íntegra assim.

Depois, vem o desenvolvimento da história. Quem já leu qualquer livro da Flynn sabe que ela simplesmente veio com o dom. Ela sabe contar uma história como ninguém. Cada cena é pensada de maneira a revelar, mas não muito. Ela revela o necessário para prosseguirmos e, no final, não deixa nenhuma ponta solta, mesmo com o mundo de reviravoltas que surgem nas últimas páginas.

A escrita é muito tranquila, mas os temas abordados são muito pesados. Gillian nos leva em um passeio pelos pecados de uma família disfuncional através da criação de pessoas disfuncionais. O crime, que deveria ser o plot central da historia fatalmente acaba sendo seu pano de fundo, enquanto conhecemos mais sobre os personagens e seus passados conturbados. E quando você simplesmente acha que acabou, Flynn te dá uma rasteira para o verdadeiro final.

Uma frase que não me saía da cabeça durante a leitura - e que, talvez, seja a filosofia usada pela autora - é a bíblica "pelos frutos se conhece a árvore". E que árvore, goddam. Que árvore.

Um livro digno de mil estrelas, super recomendado. Se você gosta de um livro policial ou de um drama familiar, é uma leitura mais do que obrigatória.

Até mais! <3

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