Resenha de Invisível | David Levithan


Invisível, de David Levithan (Todo Dia) e Andrea Cremer (Série Nightshade), conta a história de Stephen – um garoto amaldiçoado com a invisibilidade desde o seu nascimento. Sem jamais ter visto o próprio rosto, ele vive sozinho em Nova York, observando e torcendo pela vida das pessoas que continuamente observa. Com a mãe morta e o pai apenas lhe sustentando financeiramente, Stephen sente sua essência ser cada vez mais sugada pela solidão, até que Elizabeth, recém chegada na cidade, o vê. A partir daí, é desencadeada uma série de acontecimentos que, um a um, os carrega para um mundo repleto de feitiçaria e encantamentos, e faz com que sejam entregues a uma difícil decisão: estariam eles dispostos a enfrentar a morte para acabar com a maldição?

O livro possui uma narrativa em primeira pessoa que alterna entre a visão de Stephen e Elizabeth, e permite que a história seja vista de duas maneiras que, embora diferentes, se completam. Dessa forma, a escrita se torna envolvente ao ponto de que é impossível largar o livro - a ansiedade para saber como a história procederá não para de crescer até que seus olhos tenham absorvido cada uma das palavras contidas nas 318 páginas.

“Não é solidão, na verdade. Porque a solidão vem da ideia de que você pode estar envolvido no mundo, mas não está. Ser invisível é ser solitário sem o potencial de ser outra coisa além de solitário. Por isso, depois de um tempo, você se retira do mundo. É como se estivesse num teatro, sozinho na plateia, e tudo o mais estivesse acontecendo no palco.”

Comecei lendo o livro com pouca expectativa - não tinha procurado saber muito sobre a história e tinha uma ideia um tanto errada do que se tratava realmente -, então o livro foi, para mim, surpreendente do começo ao fim. Foram poucas as coisas que eu consegui adivinhar sobre a trama - e essas foram extremamente pequenas se comparadas as "bombas" que as procediam. Cada ideia, cada ação, cada escolha fazia com que eu me abismasse, fechasse o livro e parasse para analisar o que acontecera por alguns minutos.
Os personagens me cativaram de tantos jeitos que me sinto incapaz de descrever. Me identifiquei com os dois principais - Elizabeth e Stephen -, embora não saiba dizer em exatamente o porquê de tal conexão. No entanto, o meu favorito é, sem dúvidas, Laurie, o irmão de Elizabeth: seu bom humor e força de vontade me contagiaram não só durante a leitura, mas para a vida. Mesmo com tudo que sofrera no passado, ele não deixava de ter esperança e manter o sorriso no rosto.

"— Plantão de notícias – diz ele – Eu sou gay, não um feiticeiro. Quem é gay e feiticeiro é Dumbledore, e, da última vez que eu verifiquei, ele ainda era só um personagem de livro".

O desfecho foi imprevisível, pelo menos para mim. Eu não esperava de jeito nenhum que fosse terminar daquela forma, e isso só fez com que eu ficasse com mais vontade de que tivesse uma continuação. No mais, é um livro que recomendaria para todos os meus amigos, e que com certeza entrará para a lista dos meus favoritos. Yay!


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